sexta-feira, 23 de julho de 2010

Aviões para vigilância de fogos parados

Autoridade não está a usar aeronaves na fase de maior risco de incêndio.

As duas únicas aeronaves de vigilância de incêndios da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) não estão ainda a ser usadas . Também a vigilância aérea, feita com os aparelhos dos aeroclubes, ainda não funciona. Um mês após o arranque da "Fase Charlie" - considerada de maior risco -, os aviões da Protecção Civil e dos aeroclubes para detectarem fogos, recolheram imagens e ajudarem os comandos a tomar decisões, continuam em terra.

Dois aviões, com as matrículas CS-UNG e CS-UNH, estão estacionados no Aeródromo José Ferrinho, em Leiria, sem uso. "Pertencem à Protecção Civil, mas estão parados", disse ao DN o director do aeródromo.

Vítor Moutal adiantou ainda que as aeronaves, dois ultraligeiros Zephyr 2000 ULM, "nem sequer pagam o estacionamento". As aeronaves foram doadas pela Fundação Vodafone Portugal, em 2004, ao então Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil que, posteriormente, deu lugar à ANPC.

Avaliados em cem mil euros, estes aviões dispõem de equipamentos para efectuar vigilância aérea e têm sistemas de telecomunicações e georreferenciação. Em 2004, as aeronaves doadas pela Vodafone efectuaram 240 voos, detectando 73 focos de incêndio e "contribuindo fortemente para a redução do tempo médio dos fogos", lê-se no relatório do Conselho Empresarial para o Desenvolvimento Sustentável que monitorizou a operação.

Também as "patrulhas, a baixa altitude sobre as florestas, terão tido efeitos dissuasivos de eventuais actos criminosos". Mas este ano "estão paradas e sem uso", garantiu o director.

O mesmo acontece com as actividades de vigilância aérea, realizadas pelas aeronaves dos aeroclubes de todo o País, usadas em anos anteriores durante a época crítica dos incêndios florestais. Ou seja, estão suspensas.

Em Viseu, o aeroclube tem previsto voar "uma vez por dia, nos distritos de Viseu e da Guarda, mas não sabemos quando começa", disse José Dias, presidente da instituição.

Em Leiria, Vítor Moutal lembrou que "não houve protocolo e há até alguma falta de interesse", acrescentando: "A missão dá resultados a baixo custo. Cada hora de voo custa cerca de 120 euros e permite vigiar uma vasta área."

Estes voos, feitos através de protocolos assinados com a ANPC e a Autoridade Florestal Nacional (AFN), "não estão a ser feitos".

"Já tivemos uma reunião com a AFN, mas ainda não há data para a missão", salientou o presidente da Federação Aeronáutica de Portugal, que representa os aeroclubes.

O ano passado a vigilância dos aeroclubes "custou 70 mil euros, uma ínfima gota no custo da operação global do combate aos fogos, mas de extrema eficácia e com resultados comprovados", salientou aquele responsável.

DN

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