
Na qualidade de presidente da Mesa da Assembleia Geral desta associação centenária tive oportunidade de, no discurso proferido na sessão solene comemorativa do aniversário, ter referido o papel essencial da sociedade civil e, concomitantemente, do associativismo, no bem-estar e no desenvolvimento das populações.
Setúbal tem tradição, em matéria de associativismo, mas à medida que a cidade cresceu e se descaracterizou, com a vinda de fluxos cada vez maiores de pessoas de fora, perdeu algum desse elan associativo. A verdade é que persiste um número apreciável de colectividades no concelho, mas a realidade é que muitas delas lutam pela sobrevivência, dificilmente conseguem captar sangue novo, e correm o risco de fechar as portas. Em especial as mais antigas, apesar do respeitável peso do seu passado e tradição. Há que renovar métodos, procedimentos e serviços, mas sobretudo mentalidades, pois a cidade de 2009 é radicalmente diferente da que existia em finais do século XIX.
Quanto à AHBVS estão em pleno processo de renovação, aberta aos jovens, e a ideias inovadoras, mas sempre sem perder de vista o essencial, que é dotar o Corpo de Bombeiros de homens e mulheres, material, viaturas e equipamentos que permitam manter a eficácia no combate aos fogos e noutras acções de intervenção e socorro, no âmbito da protecção civil e da saúde das populações, de acordo com as funções e responsabilidades que lhe estão atribuídas.
Todavia, uma associação deste tipo, que se quer acarinhada pela sociedade setubalense, à semelhança da generalidade das suas congéneres por esse país fora, ainda não conseguiu sentir esse apoio em termos de número de associados, o que é pena. Se não forem os habitantes de Setúbal a acarinhar os seus bombeiros voluntários, quem o fará?
Já basta o comportamento vergonhoso, do ponto de vista cívico e institucional, que resulta do facto de as entidades competentes continuarem a reter uma verba de 30 mil euros, a que a associação tem direito, e que foi atribuída há um ano para a compra de um autotanque de grande capacidade, entretanto adquirido.
Por: Brissos Lino