Polícia tem dificuldade em reunir provas contra suspeitos de fogo posto. Este ano e até agora, o número de detidos, nove, é quase metade do registado o ano passado.Em 2009, por esta data a PJ tinha aberto já 768 inquéritos e detido 16 pessoas. Este ano, a diminuição retoma uma tendência que vinha a verificar-se nos últimos anos: em 2006 foram abertos 1400 inquéritos, em 2007 baixaram para 1087 e em 2008 para cerca de 450.
Segundo fonte da PJ de Coimbra, onde está o gabinete coordenador da investigação destes crimes, a diferença entre 2008 e 2009 está no número de ocorrências reportadas à polícia. Até ontem, apenas foram comunicadas 862 ocorrências, menos 32 por cento do que em 2009.
Dos nove detidos - que incluem dois detidos anteontem, por suspeita de fogo posto em Vila Real (a 28 de Julho) e Castelo de Paiva (a 31 de Julho) -, quatro estão em prisão preventiva, o mesmo número de preventivos que no ano passado. Os outros aguardam julgamento em liberdade, sujeitos a medidas como a apresentação periódica às autoridades.
Antes de começar a época mais grave de incêndios, a PJ faz um levantamento da situação dos incendiários já identificados, mas não há ainda um sistema que permita vigiá-los e assim prevenir reincidências. Por exemplo, em Maio, a polícia deteve um homem por suspeita de fogo posto, delito que tinha praticado há um ano e pelo qual aguardava julgamento.
A percentagem de incêndios com mão criminosa é "grande", reconheceu o secretário de Estado da Protecção Civil, Vasco Franco, quando falava anteontem após uma reunião entre a Comissão Parlamentar de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas e a Protecção Civil. O facto de, por exemplo, em Viana do Castelo - um dos distritos com mais fogos - um terço dos incêndios de Julho ter começado durante a noite indicia isso mesmo.
A moldura penal para estes crimes pode chegar aos 12 anos de prisão efectiva, mas a "grande dificuldade" das polícias é recolher provas que sustentem uma acusação contra os incendiários, lamenta Vasco Franco.
A falta de limpeza das florestas e zonas de mato próximas das casas é outra preocupação do governante, partilhada pela Associação Nacional de Empresas Florestais, Agrícolas e do Ambiente. A associação sustenta, porém, que o problema está na falta de operacionalidade do Programa de Desenvolvimento Rural (Proder). O programa atribui fundos comunitários aos proprietários florestais, para efectuarem acções de silvicultura preventiva. Mas até 2 de Julho a taxa de execução do Proder era de apenas 20 por cento.
O Norte continua a ser a região mais afectada pelas chamas
O dia de ontem voltou a ser complicado para os bombeiros, principalmente no Norte do país, a região mais afectada pelas chamas. Até à hora de fecho desta edição, os dados disponíveis no site da Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC) permitiam contabilizar 307 incêndios em todo o território de Portugal Continental, ainda assim menos 89 do que no dia anterior.















